Na primeira parte de nosso texto, iniciamos uma abordagem falando sobre um pouco de história. Continuemos então.
Após a vinda de Jesus à Terra, tivemos a instauração do Cristianismo primitivo. Muito diferente de várias religiões que existiram ou ainda existem, ele era o estudo e prática dos ensinamentos do Cristo sem qualquer interferência humana. A fé era a regra prática daqueles que decidiram se guiar pelo Cristianismo. Porém, com o passar do tempo, na medida em que o Cristianismo tomava lugar dentre os corações e as mentes humanas, os “homens de poder” viam a necessidade de ter o domínio (ledo engano) sobre os “homens de fé” e passaram a efetuar as mudanças que lhe eramconvenientes, fundando religiões de nomes diferentes com base nos ensinamentos do Cristo, porém, retirando ou colocando aquilo que lhes aprouvesse. Com isso, foram surgindo ao longo da história, muitas novas religiões, cada qual com seus rituais, hierarquias, livros, leis, enfim, mudanças do Cristianismo em prol da arrogância e interesses meramente materiais e humanos. Podemos então, como Alfred de Musset disse sobre a arte na Revista Espírita de 1860, dissertar que o período pós Cristinismo primitivo e o surgimento do Espiritismo compara-se a um casúlo.
O casúlo é formado pela própria larva com fios que se prendem à superfície onde ela está. Esses fios formam uma espécie de proteção para que nada a atinja. Aí, uma vez fixo onde quer, se forma ao longo do corpo da larva o casúlo e aquela entra em estado de pleno repouso para que o corpo se modifique. Logo, vemos que um casúlo é dotado de vida, porém, não sai do lugar; é estático; vai evoluindo aos poucos até que, após as modificações e o desejo de não mais ficar parado devido ter se tornado algo maior, haja o rompimento do casúlo para que a borboleta possa atingir patamares cada vez mais altos e enfim possa se reproduzir. Efetuando essa comparação com as religiões da humanidade, vemos que houve um repouso longo da evolução da humanidade em relação à religião devido àquelas primeiras ditas cristãs criarem seus fios para que nada a atingisse ou a modificasse.
Uma vez fixadas como queriam, assim como o casúlo, cheio de vida e modificações, iniciaram-se os movimentos de busca por algo diferente através de questionamentos até então proibidos, surgindo possibilidades para outras religiões que buscassem aquele Cristo de antes, sem as intervenções humanas. Há um filme interessante sobre isso chamado “Lutero” que demonstra os questionamentos feitos dentro de uma das religiões existentes até que se formasse um novo modo de pensar e ter fé. E ainda depois disso, vemos a arrogância humana agindo, deturpando essa tentativa de voltar ao cristianismo em sua pureza. Não havia outra maneira. Era necessário que o Consolador que foi prometido pelo próprio Cristo se fizesse presente. Fomos preparados para isso. Muitos emissários foram enviados, principalmente no século XIX em todos os meios (eduação, arte, filosofia, ciência...) trazendo novidades. Era o tempo do Cristo cumprir com o sua promessa, enviado-nos o Consolador, o qual chegou, não em forma de homem, mas através das pesquisas e das mãos de, inicialmente um homem complementado por vários outros ao longo dos anos. O senhor Hippolyte Leon Denizard Rivail, através da comunicação com o mundo invisível e até então motivo de espanto, curiosidade e incredulidade nos traz o Espiritismo.
O Espiritismo vem para revivescer o Cristianismo primitivo, sem intervenções humanas. Ele surge para fazer a união entre o pensamento religioso e as descobertas da ciência, sem fazer delas algo contrárias mas sim, complementares. A Doutrina dos Espíritos, diferentemente de qualquer outra religião, não teme a evolução da ciência ou do pensamento filosófico acerca das verdades do mundo. Pelo contrário, ela os incentiva para que o homem da Terra possa tomar conhecimento das verdades universais. O próprio Hippolyte, pouco depois chamado de Allan Kardec, disse o seguinte no livro entitulado “A Gênese” (Cap. IV):
"Somente as religiões estacionárias podem temer as descobertas da Ciência, as quais funestas só o são às que se deixam distanciar das idéias progressistas, imobilizando-se no absolutismo de suas crenças. Elas, em geral, fazem tão mesquinha idéia da Divindade, que não compreendem que assimilar as Leis da Natureza, que a ciência revela, é glorificar a Deus em Suas obras. Na sua cegueira, porém, preferem render homenagens ao Espírito do mal, atribuindo-lhe essas Leis. Uma religião que não estivesse, por nenhum ponto, em contradição com as Leis da Natureza, nada teria que temer do progresso e seria invulnerável”.
Até então, essa religião invulnerável não existira e talvez, nunca existirá enquanto religião conhecida pelos seres encarnados.
Assim sendo, o próprio Kardec não denominou o Espiritismo como uma religião propriamente dita, pois se assim o fizesse, poderia correr o risco de mais uma vez imbutí-lo com as interpretações erroneas humanas criando cultos, podendo ser considerado como um atífice qualquer. Assim, o Espiritismo une tudo o que temos de questionador no mundo: Ciência, que busca a explicação prática para tudo o que existe; filosofia, que busca a explicação teórica de todas as “coisas” referentes aos relacionamentos humanos; e a religiosidade, ligada à fé de que um algo maior existe e nos alavanca para a evolução ou perdição. E aqui voltamos à nossa questão inicial: o que nos motiva a sermos espíritas?
Encerraremos o texto na parte III. Até, vamos mais uma vez pensar no que nos motiva a sermos espíritas. Por quais motivos nos dedicamos à Doutrina codificada por Allan Kardec após explanações históricas que foram colocadas nas duas primeiras partes dos textos. A quem interessar, enviem seus comentários. Serão muito bem vindos.
Abraços fraternos.
Diego Carvalho
Oláá.....parabéns pelo seu blog,muito boa a sua iniciativa...achei muito interessante suas colocações por serem cocisas e diretas e que está totalmente dentro das obras e ensinamentos da doutrina espírita...espero que continue assim, postando textos muito bem escritos e interpretados!
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